sábado, 16 de junho de 2012

A Saga do Imperador

Como tudo surgiu de um sonho de Mary que me deu a ideia de criar uma história de humor de apenas uma parte para ser postada no Facebook e que não iria a canto nenhum eu não tive a preocupação de criar um enredo, mas as pessoas foram gostando e as partes foram aumentando e a história passou a ser feita espontaneamente, sem importar para onde estivesse indo. Depois eu segui essa mesma proposta com Phil no País de Oz, mas aí eu percebi que podia fazer algo mais. Algo mais sério, embora sem nenhuma intenção de publicação ou venda, apenas por diversão.
Daí surgiu A Ordem do Imperador das Sombras, dando início à Saga do Imperador que usaria a história inicial, BCC Wars, como ponto de início do alvo do roteiro e então chegamos aqui e é aqui que quero deixar clara a forma como a história funciona. Todo mundo assistiu Star Wars fora de ordem e ninguém reclamou, então não venham reclamar da publicação fora de ordem :P Assim funciona a Saga do Imperador:

·   A Ordem do Imperador das Sombras
·   BCC Wars
·  A Era dos Cyborgs (ainda sendo escrita)



Agora quem não viu a origem de tudo vai saber como ler a história. Divirtam-se.

Ah, e de preferência baixem essas fontes, elas fazem parte das histórias:
Jedi: http://www.urbanfonts.com/download.php?file=jedi.zip
Monotype Corsiva: http://fontzone.net/font-download/Monotype+Corsiva/
You Murderer: http://www.1001fonts.com/fonts/win/ttf/3134/youmurdererbb_tt.zip

sábado, 9 de junho de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #8

Parte 8 (final)
Penumbra. Superfícies de vidro por toda a parede da sala refletiam a luz de uma mesa de metal aparentemente composta por monitores com tecnologia Touch Screen que pendia do extremo da sala, mostrando que estavam sob um teto oval que dava a impressão de estar dentro de uma concha. Por trás dos reflexos se viam silhuetas de corpos com aparência adulta ou de recém-saídos da adolescência flutuando em algum tipo de líquido. Não conseguiam enxergar os rostos daquela distância e àquele nível de iluminação.
Andaram a passos lentos até que chegaram ao centro da sala e luzes fortes se acenderam automaticamente do rodapé revelando a estrutura do lugar. Acima deles se erguia uma abóbada de capsulas cilíndricas suspensas entre centenas, talvez milhares de fios de todos os tipos e espessuras. Em cada capsula flutuava um corpo suspenso num líquido tão transparente quanto água, e em cada corpo havia uma máscara aparentemente mecânica presa ao rosto com um tubo que se conectava à parte superior do tubo de vidro. Todos os corpos estavam nus e em posição fetal como se houvessem nascido naquele recipiente.
Alex e Suzana demoraram alguns segundos digerindo a existência de tal lugar. Estavam tão perplexos que não notaram a porta se abrindo silenciosamente atrás deles e se fechando do mesmo modo cinco segundos depois. O rapaz se aproximou de um dos “tubos de ensaio” gigantes para observar melhor. Ele teve a impressão de que aquela pessoa, se fosse realmente uma pessoa, era familiar, mas não conseguia ter certeza pois a máscara que provavelmente transportava ar ao corpo cobria mais da metade do rosto.
-ALEX! – chamou Suzana quase gritando com uma voz horrorizada do outro lado da sala e apontando para um dos tubos. – Alex, é Bione!
-Como?! – ele correu rapidamente em direção à menina.
-Olha para ela! Os olhos, o cabelo, é Thaís! – a voz quase não saía por causa do choque.
Alex observou o corpo feminino com os cabelos espalhados pelo líquido e viu que era verdade. Em seguida andou alguns passos à direita e observou a capsula ao lado. Era a vez dele de entrar em choque.
- Suh! Ai meu Deus, Suh, sou eu! - e apontou para o corpo com a mão trêmula.
Suzana se aproximou e, quando olhou para o corpo, ele abriu as pálpebras esboçando um olhar vazio e sem consciência. A menina soltou um grito de terror e começou a andar de costas para se afastar dali, mas quando desviou o olhar começou a perceber que todos ali eram conhecidos, então se soltou sobre os joelhos no meio da sala sem saber o que fazer, até que percebeu que apenas um dos cilindros estava vazio.
-Gostaram deles? - a voz veio de trás deles e ambos olharam ao mesmo tempo com os corações aos saltos. - São os filhos do Imperador.
Então eles descobriram que Dayanne estava viva.
-Filhos? - perguntou Suzana com o medo gelando sua espinha.
-Sim. Ele os criou para servirem à Ordem.
-Mas eles são clones de todos os alunos de BCC!
-Sim, essa é sua utilidade...
“Dayanne, siga com o plano e pare de conversas”, a voz ecoou por todos os lados, como se saísse das paredes ocultas pelos incontáveis fios, interrompendo o discurso da menina.
-Agora mesmo, Imperador. - respondeu. - A conversa estava boa, mas agora é hora de dar tchau - disse como uma criança que termina uma brincadeira “na hora em que tava ficando boa”.
            Ela andou até a mesa e a tocou com todos os dedos da mão esquerda. Alex achou ter visto conexões minúsculas se formando entre os dedos da menina e as telas da mesa. Suzana teve a mesma impressão.
            -Sabe, eu sei que vocês estão curiosos, então vou explicar.
          Ela girou a mão no sentido horário e a moveu na direção diagonal direita. Dois cabos com pontas mecânicas em formato de cabeça de cobra rastejaram pelo chão por baixo das pernas da menina saindo da mesa em direção aos dois jovens assustados e antes que eles pudessem pensar em qualquer reação as serpentes atacaram num bote. Durante a trajetória do ataque as bocas se abriram em fração de segundos desmontando-se num mecanismo de “dedos” robóticos muito finos, semelhante a uma aranha se prendendo aos crânios das suas vítimas como se fosse prendê-los em sua teia.
        Alex e Suzana estavam presos pela cabeça e sabiam que se tentassem se libertar teriam, no mínimo, seu couro cabeludo arrancado. Na melhor das hipóteses. Involuntariamente se colocaram de joelhos, o que fez eles perceberem que agora aquele cabo controlava seus sistemas nervosos.
            -Agora que não podem mais fugir vou contar só um pouco.
            Os dois suavam frio. Suas pernas tremiam.
           -Sei que se perguntam por que justamente vocês foram trazidos para cá. Mas não tem nenhuma razão especial, vocês foram apenas os primeiros de uma lista aleatória. - ela falava sem tirar a mão esquerda da tela. - Pena que Alex não teve tempo de passar pelos testes principais como você Suh.
            -Que testes? - perguntou surpresa, ainda não conseguia se lembrar de nada.
-Agora isso não importa, o que importa é que você sobreviveu.
-Mas você não queria me matar? - perguntou Alex confuso com a história.
-Antes sim, minha missão ficou confusa por algum motivo, mas o Imperador me reprogramou.
-Como assim, você é um cyborg? - ele estava mais confuso ainda agora.
-Todos nós filhos do Imperador somos cyborgs. Todos esses que vocês veem aqui são. - os dois amigos ficaram sem palavras. - Bom, mas acho que isso já respondeu o suficiente. - ela olhou para a tela em que tocava. - Imperador, permissão para continuar.
Ouviu-se um som semelhante ao do mecanismo das portas daquele lugar se abrindo. Um feixe de fios se abriu criando uma passagem para o homem entrar na sala de frente para os reféns.
E eles conheciam seu rosto.
-Pode começar. - falou com um sorriso de vitória discreto no rosto.
-É você! - gritaram os dois em coro dois segundos antes de sentirem uma dor perfurante em suas cabeças fazendo-os gritar de dor. Parecia que uma agulha estava sendo introduzida em seus crânios, embora agulhas minúsculas perfurassem apenas seu coro cabeludo transferindo pequenas cargas elétricas.
Suzana desmaiou. A última coisa que Alex viu antes de fazer o mesmo foi um ser pequeno e cinzento que caminhava lentamente em sua direção. Ele se aproximou e olhou nos olhos do rapaz.
Os olhos do animal mudaram de forma e agora Alex pôde perceber que não era a forma de uma letra S, mas a forma de uma serpente. Mas ele não se lembraria mais disso.
Alex ficou inconsciente.
***
Suzana acordou no andar abaixo das salas do CEGOE. Estava com um livro de Cálculo 2 no colo e uma lapiseira de ponta 0.7 caída no chão ao lado da sua bolsa. Ainda eram onze da manhã, então apenas voltou a estudar até uma da tarde quando levantaria para almoçar no RU.
Alex acordou em sua cama. Tinha perdido a hora do estágio, ia ter que inventar alguma desculpa para a Irmã Marlene no dia seguinte. Olhou no seu aiPhone. Havia uma mensagem. Abriu para ler, o remetente era um contato gravado como “Suh”. Estava escrito “Queria te contar uma coisa a sós...”. Ele achou estranho, mas apenas se levantou para tomar café da manhã. Não devia ser nada sério.
No Edifício Vasconselos Sobrinho entrava Dayanne. Ia estudar programação com Jonathan e Mariane. Eles nunca desconfiaram da menina. Até pouco tempo depois.
No galpão onde tudo começou, no vão em que Suzana fora presa, a tela à qual ficou olhando enquanto estava presa ainda estava ligada. Nela passavam palavras aparentemente soltas e sem sentido por toda a tela caindo como uma cascata. Sobre um fundo branco, códigos desconhecidos escorriam numa fonte Comic Sans verde.
Numa sala com uma mesa redonda de poucos lugares um grupo de homes se reunia. O Imperador se pôs de pé.
-Estamos prontos para começar. - disse num tom firme.
Todos se mostraram satisfeitos.
Fim.

terça-feira, 5 de junho de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #7

Parte 7
            Alex e Suzana agora quase corriam, ele já estava recuperado dos efeitos que a substância azul provocara no seu corpo. Seguiam caminhos instintivos pelos corredores que nunca terminavam em lugar nenhum como um labirinto sem fim.
            -Calma Alex, vamos parar um pouco. - disse segurando ele pelo braço. - Precisamos pensar para onde estamos indo, assim podemos estar rodando em círculos!
            -Seria ótimo se soubéssemos para onde ir, mas todos os corredores aqui são iguais! - o tom de voz era de nervosismo, estava evitando pensar na possibilidade de voltar à cadeira de Day para manter a calma.
            -Parece que estamos presos aqui. - ela olhou para os traços finos na parede que mostravam as portas deslizantes como a do galpão de onde fugiram. - Acho que vamos ter que arriscar...
            -Como assim?
           -Não tem janelas aqui, nem nada que pareça com uma saída, então só podemos tentar entrar nessas portas e ver onde vamos sair.
Ela não esperou a resposta do amigo e encostou a mão numa região delimitada pelo desenho retangular de pontas arredondadas para tentar abrir a porta. Tentou pressionar, mas nada aconteceu.
-Sou só eu que estou me sentindo observado aqui? - perguntou Alex incomodado.
-Na verdade eu não estava, mas já que você falou agora eu também estou.
Ficaram em silêncio e olharam para os dois lados do corredor. Nenhum som, nem um eco de qualquer sala.
-Acho que só estamos nervosos. - disse ela com voz trêmula. - Vamos continuar procurando uma porta destrancada.
Alex assentiu com a cabeça, mas continuou incomodado. Sentia uma presença que se aproximava. Parecia que algo ou alguém entraria naquele corredor a qualquer momento. Deu um passo em direção àquela sensação estranha, mas logo se virou para o outro lado.
-Suh, vamos embora daqui, tem algo vindo atrás de nós! - disse pegando a menina pela mão.
Ela sentiu seu coração acelerar com o toque. Perdeu o controle dos seus pensamentos e a única reação que teve naquele momento foi seguir a liderança do rapaz. Então eles correram do modo mais silencioso que puderam, tentando pisar leve no chão até que encontraram algo que não haviam visto antes.
Um símbolo em baixo relevo de aproximadamente 30 cm de diâmetro quebrava a harmonia perfeitamente lisa das paredes num corredor sem portas. Uma cobra que envolvia uma maçã em espiral mordendo a fruta na sua diagonal superior direita. Alex e Suzana se olharam como se concordassem no que deviam fazer.
-No três. - disse ela firmemente.
-Um, dois...
Nervosa, Suzana queimou a contagem tocando o símbolo com a palma da mão aberta.
-Não era no três? - perguntou um pouco assustado pela atitude repentina.
-Desculpa, me empolguei. - respondeu enquanto ainda matinha pressão sobre o desenho que começou a esquentar. Afastou a mão em reflexo à temperatura crescente e apenas observou com o mesmo olhar do companheiro que carregava curiosidade, nervosismo e medo.
A cobra entalhada na parede tomou uma coloração verde lentamente acompanhando a maçã que assumia um vermelho escarlate. Quando os desenhos chegaram a uma tonalidade sólida uma passagem se revelou com o deslocamento de um bloco de parede para dentro do prédio e logo após para a direita.
Avançaram com passos curtos pela passagem e descobriram que aquele lugar, independente do que fosse, não era uma prisão como achavam até agora. Era algo muito maior e o galpão em que foram presos era apenas uma área de algum complexo de sabe-se lá o que. Agora sabiam ainda menos onde estavam e o que esperar de tudo o que estavam vivendo, mas ao menos agora haviam descoberto algo. Aquele lugar não era uma prisão para serem torturados por qualquer coisa.
Pois eles estavam entrando num imenso laboratório de corpos.

***
            Passos avançavam leves e silenciosos sobre o piso encerado dos corredores daquele lugar. Os pés viraram à esquerda a tempo dos olhos do indivíduo poderem ver um corpo sumindo para dentro da parede. Então eles haviam entrado no laboratório do Imperador.
            Não pensei que ia ser tão fácil. Mas vai ser divertido mesmo assim. Lá é legal.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #6

Parte 6
Era um corredor. Paredes brancas, retângulos que definiam portas aqui e ali e uma fileira de lâmpadas fluorescentes compridas em nichos no teto. Ao fim de 4 metros de comprimento o corredor se dividia em dois.
Suzana e Alex andaram o mais rápido que podiam. Não faziam ideia de para onde estavam indo, mas queriam estar o mais longe que pudessem daquele galpão.
Assim começava a fuga.
***
Da plataforma no galpão surgiu uma sombra. Viu o corpo no chão e não esboçou reação alguma.
-Então o ratinho fugiu da ratoeira. - falou com a voz grossa e indiferente ao cadáver. - Vamos ver como.
Aproximou-se ao fim da plataforma e saltou vencendo os três metros até o chão como se tivesse pulado os dois últimos degraus de uma escada de uma vez. Abaixou-se perto do corpo, tocou a cabeça de Day com a mão direita aberta e fechou os olhos. Estava conectando o chip na palma de sua mão ao chip de memória visual implantado no cérebro da menina. Começou a reprodução do vídeo.
-Ora ora, então foram dois. - ele quase esboçou um sorriso como se estivesse se divertindo. - Vou me divertir um pouco. Mas antes preciso ajustar sua personalidade, pequena, você está mais sádica que o necessário. Nenhum aluno deve morrer aqui e você parece ter um certo prazer em matar pessoas. Mas não, alunos não. - falava como se conversasse com uma filha que dormia ao seu lado.
Tirou a mão direita da cabeça do cadáver e colocou a esquerda do mesmo modo. Uma luz fraca surgiu ao contato e segundos depois Dayanne abriu os olhos e se levantou devagar. Ao perceber quem estava abaixado ao seu lado, se ajoelhou rapidamente.
-Imperador! - saudou assustada abaixando a cabeça.
-Eles fugiram. - disse em tom compreensivo. - Mas não se preocupe, vai ser divertido pega-los.
Ele levantou-se e pegou a menina pela mão. E eles seguiram calmamente de mãos dadas pelo corredor deixando a música que tocava no galpão para trás.
           
 I hear the din of the screams,
Sorrow in streams
The smell of farewell and gasoline

I see a heart set free
And my legacy
Hear a voice from a shadow
That is beckoning me

domingo, 27 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #5

Parte 5
A menina voltou ao local com o mesmo sorriso fixo assustador no rosto. Parecia estar realmente fora da realidade, não era mais um humano que andava ali. Caminhava lentamente olhando o dedo pintado por algum remédio cicatrizante derramado sem cuidado sobre o corte. Não parecia sentir dor.
Na verdade parecia nunca ter sentido.
Posicionou-se novamente de frente para Alex que ainda estava desacordado. Finalmente ia começar a se divertir. Olhou o aiPod no pulso no braço esquerdo como se fosse um relógio e o tocou com o dedo indicador, o display então passou a exibir uma playlist. Ela escolheu uma música e tocou no botão play. A música começou a ser reproduzida por todos os cantos do galpão, fazendo o local parecer uma boate vazia.
-Ahhh eu podia testar aquele azulzinho... - disse pra si mesma com ar de empolgação. - Interessante ele, vamos ver se dá certo.
Pegou a seringa que usou antes e caminhou até o armário de onde havia tirado o avental e então se abaixou para abrir uma das três gavetas dispostas verticalmente. Abriu a primeira, estava vazia. A segunda, também sem nada. E então na terceira achou o que procurava. Um recipiente plástico com um líquido azul turquesa. Rapidamente inseriu a agulha no plástico fino e fez a agulha sugar o máximo que pôde. Em seguida voltou à cobaia que ainda não esboçava reação alguma.
***
Imóvel, oculta pelas sombras, estava Suzana. Agora agradecendo a todos os deuses, existentes ou não, por Day ter ligado o som, pois agora não precisava mais controlar a respiração para não ser ouvida. Não conseguia enxergar muito bem o que estava acontecendo, porque mesmo no escuro achou mais seguro ficar abaixada por trás de um pequeno armário móvel.
Queria fazer alguma coisa para tirar o rapaz dali, mas a chegada repentina da torturadora reduziu a quase zero qualquer chance de fazer algo realmente útil. Então esperava a oportunidade certa para tentar algo. Mesmo sem ter ideia do que fazer.
Então ela tocou o chão para trocar a perna de apoio e sentiu algo metálico tocar seu dedo.
***
Dayanne inseriu a ponta da agulha no antebraço direito de Alex perto do pulso lentamente, como se saboreasse a sensação da agulha perfurando a pele. Injetou aos poucos o líquido azul que rapidamente ia se espalhando pelo antebraço e descendo até a mão da vítima. O rapaz começou a ter espasmos em todo o lado direito do seu corpo, mas a menina continuava a injetar a substância azul.
Até que se ouviu uma pancada. O som de uma barra de ferro que encontrava com força um crânio. Day caiu ao chão com um baque surdo. E parecia que não levantaria nunca mais.
Suzana não acreditava no que acabara de fazer. Ainda segurava, em choque, a barra de ferro que encontrara no chão um minuto atrás. Havia matado uma pessoa e, por mais que achasse que fora necessário, demoraria muito tempo para superar aquilo totalmente. Demorou pouco mais de um minuto para ela voltar ao mundo real e socorrer o rapaz que ainda se debatia na cadeira.
Desamarrou todas as fivelas das amarras semelhantes a cintos que prendiam seus pulsos, tornozelos e tórax e esperou até que ele parasse de reagir à substância. O antebraço de Alex estava com uma cor azulada que desaparecia aos poucos, na proporção em que os espasmos diminuíam.
Dois minutos depois as reações pararam de vez, deixando apenas o corpo desacordado, porém ainda com vida sobre a cadeira. Suzana, que estava vivendo os minutos mais longos da sua vida, tentou acorda-lo para procurarem logo a saída dali, mas sem sucesso. Deu leves tapinhas no rosto, moveu os braços, fez tudo que imaginou que ajudaria, mas nada o acordou. Até que desistiu e decidiu esperar impacientemente que ele acordasse.
Nesse momento ele abriu os olhos lentamente sem saber onde estava. Olhou ao redor e viu a menina que quase chorava de felicidade ao vê-lo acordar.
-Suh? O que aconteceu?
-Vamos logo sair daqui, eu acho que... - as palavras ficaram presas quando ela olhou para o corpo estirado no chão.
Alex não conseguia acreditar que sua raptora estava morta e seu corpo inteiro. Não achava que sairia dali vivo, muito menos sem um arranhão. Pelo menos ele não sentia nada diferente.
-Ai meu Deus, vamos logo embora daqui! - falou se levantando lentamente da cadeira. A falta de força era a única coisa que sentia diferente.
Suzana o ajudou a andar e eles seguiram em direção à porta escondida na parede. Mas quando ela abriu eles foram surpreendidos.
Não era apenas um galpão.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #4

Parte 4
Duas horas antes.
Dayanne entrava por uma porta deslizante como a da sala de tortura numa sala escura e quase vazia. Carregava com ambas as mãos um recipiente pequeno, metálico e de formato ovalado  como se trouxesse uma oferenda a um deus. Não se enxergava nada ali, além de dois pequenos degraus iluminados fracamente pela luz que entrava pela porta tomando a forma de um tapete temporário. A sala não possuía nenhuma janela, sendo a única fonte de luz o corredor, por onde a menina havia entrado, quando a porta estava aberta.
Era um altar.
-Imperador, - ela se ajoelhou na metade da distância entre a porta e o altar.
-Pode se aproximar. - disse a voz grossa e firme que vinha dali.
Ela levantou-se e pousou o recipiente sobre o primeiro degrau onde uma luz fraca se acendeu num pequeno quadrado abaixo da oferenda. Agora iluminado, podia-se ver claramente o objeto.
Era decorado com cobras que se trançavam por toda a lateral. E dentro uma maçã era oferecida.
-O que tem para me dizer?
-O próximo chegará em pouco tempo, a aula já está no fim. - disse ela ajoelhada e de cabeça baixa.
-Ótimo. Siga o plano.
-Sim, meu senhor.
E se retirou com uma reverência.
Ao sair colocou os fones de ouvido, antes ocultos dentro da blusa, e apertou um botão no seu player. Era sua trilha sonora

Exit light, enter night
Take my hand
We’re off to never never land!

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #3

Parte 3
            A raptora deu as costas ao rapaz desacordado e andou calmamente em direção a um armário rústico de madeira poucos metros dali. Abriu a porta e pegou um avental como aqueles usados por empregadas domésticas para cozinhar. Não fazia sentido o uso de tal peça já que apenas isso não seria suficiente para não se sujar com o sangue, mas o estado mental em que a garota se encontrava explicava que ela provavelmente não ponderava muito bem suas ações.
            Desligou quase todas as luzes do galpão deixando apenas umas poucas acima de onde estava. Queria que apenas o fatídico local ficasse claro.
            A proximidade com a experiência que faria a seguir a havia deixado mais pervertida. Seu rosto esboçava um sorriso suave e natural, porém constante, fazendo parecer que ela estava numa realidade própria, onde aparentemente conceitos de moralidade não existiam.
            Terminou de amarrar o avental de tecido sintético coberto com algum tipo de plástico fino e maleável, puxou uma mesa com rodinhas carregada de instrumentos cortantes e voltou-se para a cobaia.
            -Por onde começo? - falava consigo mesma. - Acho que vou começar pelos pequenos pra ver se eles saem fácil... - e olhou ao redor procurando algo. - Ah, que droga, a tesoura de vó sumiu de novo. Tenho que parar de usar ela pra tudo.
            Começou a revirar a mesa procurando a tesoura. Cortou-se de leve em alguma coisa afiada e um filete de sangue começou a escorrer do seu dedo médio da mão esquerda. Ela então observou o corte como se não sentisse dor e caminhou em direção à parede de onde pendia a plataforma por onde tinha vindo que ficava a três metros do chão.
-Acho melhor fechar isso. - disse ainda olhando o dedo. - Só cinco minutos não vão fazer falta.
Ao se aproximar da parede feita de alguma liga metálica, revelou-se uma porta secreta que deslizou dois centímetros para trás e então correu à direita abrindo o caminho para o interior da construção. Quando a garota passou a passagem fechou-se fazendo o movimento inverso.
            Alex continuava preso à cadeira desacordado. E ele estaria sozinho ali.
Não fosse uma silhueta que saía sorrateiramente de um dos cômodos minúsculos atrás dele.
Quando adentrou a área iluminada sua identidade ficou clara, embora não houvesse ninguém ali para ver. Era uma menina de cabelos negros, pele branca, porém bronzeada, estatura média e uma expressão que revelava um grande cansaço mental. Suzana havia passado por uma seção de tortura psicológica que durara mais de uma hora.
Havia sido trancafiada dentro daquele cubículo onde havia uma cadeira semelhante à da vítima desacordada que ela acabara de descobrir. Lá dentro havia uma tela onde foram exibidas coisas que não se recordava mais. Na verdade não conseguia lembrar-se de nada antes do momento em que fora aprisionada e não fazia a menor ideia de como havia se libertado da cadeira. Desconfiou que a torturadora tivesse deixado suas amarras folgadas e quando teve aquela crise de espasmos há uns minutos atrás havia se libertado por acidente.
Mas agora descobrira que Alex também estava ali por algum motivo e não sairia dali sem leva-lo junto. Talvez outra pessoa sim, mas não ele. Não a pessoa por quem ela escondia um amor platônico.
Ela iria salva-lo a todo custo.
Então uma abertura na parede deslizou à direita.
Dayanne estava de volta.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #2

Parte 2
            Dayanne olhava o recém-chegado refém com um sorriso macabro, quase psicótico. Com o ambiente totalmente iluminado agora admirava todos os seus artefatos de tortura, que chamava carinhosamente de “brinquedinhos”, dispostos no chão do galpão. Iam desde lâminas de todas as formas e tipos, imagináveis ou não, a objetos que pareciam ser aleatórios e não faziam sentido estarem ali. Estava imóvel sobre a plataforma com as duas mãos atrás das costas como se esperasse alguma coisa.
            Alex não tinha reação ao perceber onde estava. Observando rapidamente ao redor pôde perceber que o galpão não tinha portas ou janelas. No teto de formato quase piramidal apenas algumas aberturas pequenas, com o diâmetro de um cano PVC usado para grandes volumes de água, de onde não vinha luz alguma como se fizesse parte apenas de um sistema de ventilação. À sua frente muitos objetos e, pode-se dizer, móveis estavam distribuídos sem padrão organizacional nenhum por todo o andar térreo. Em alguns cantos haviam pequenos “cômodos”, como aqueles pequenos banheiros de bares que têm apenas um vaso sanitário dentro, com as portas trancadas, tornando impossível saber o que estava escondido ali.
Claustrofóbico é como qualquer um se sentiria ali.
-Você parece nervoso por causa dos meus brinquedinhos...
-Não, nervoso não... – respondeu Alex tentando esconder o medo que sentia. – Apenas... Desconfortável... Não gosto muito de coisas pontudas e afiadas.
-Tudo bem, não precisa ter medo, serei boazinha com você. – nesse momento ela deu um passo para fora da plataforma e começou a flutuar no ar na direção do refém como se cabos de aço a carregassem como em peças de teatro. – Entenda que não é nada pessoal, eu gosto de você, mas sirvo ao Imperador, – ela aterrissou no chão e chegou a poucos metros do rapaz. – e você era um dos alvos dele, então não posso fazer nada por você.
-Obrigado então... Eu acho...
Alex foi erguido ao ar como se algo controlasse a ação da gravidade sobre seu corpo conduzindo-o para o centro do local. Day seguia atrás a curtos passos acompanhando-o ao seu destino. O prisioneiro foi colocado numa cadeira semelhante a uma cadeira elétrica, porém sem os aparelhos para transmissão de eletricidade, onde seus pulsos, tórax e tornozelos foram amarrados firmemente. Alex viu seu algoz se posicionar à sua frente para um breve diálogo antes do começo da seção de horrores.
-Eu gosto de explicar o que vou fazer com minhas vítimas antes de começar. Gosto de criar uma relação de carrasco para vítima, me faz me sentir mais à vontade.
-Interessante, Day, mas se eu não precisasse sentir dor eu agradeceria.
-Não se preocupe. Apenas quero retirar todos os ossos que eu conseguir do seu corpo um por um para saber como alguém fica sem seus ossos. - disse calmamente, como se fosse algo costumeiro. - Nunca tentei isso antes, então fique feliz em saber que você será o primeiro. Mas como eu disse que serei boazinha com você, - ela se virou e buscou uma seringa numa mesa bagunçada alguns metros atrás. - vou te ajudar. Essa anestesia vai fazer você sentir apenas metade da dor que deveria sentir, não é uma boa notícia?
-Eu não sei se fico aliviado ou com mais medo ainda... Não podia apenas me matar como fez com aqueles pobres gatos? - ele sabia do que a menina era capaz, então talvez morrer fosse uma alternativa melhor do que passar por aquele jogo sanguinário.
-Não, assim não seria divertido. - respondeu simplesmente. - Mas você é meu amigo, vou fazer algo que nunca faria com qualquer outra pessoa. Vou te botar para dormir, e apenas vai sentir toda a dor quando acordar e não tiver mais nenhum osso dentro de você. - ela começou a divagar falando para si mesma. - É, seria uma experiência interessante, mas não lembro se ainda tenho aquele frasquinho roxo... – e começou a andar por todo o lugar em busca da substância, até que achou rapidamente.
O rapaz suava frio desde que foi atado à cadeira e não podia fazer nada, pois estava totalmente imobilizado e conversar com uma psicótica daquele nível não teria resultado algum. Então ela voltou e empurrou a agulha contra a pele do prisioneiro perfurando-a e injetando o líquido incolor.
-Até mais tarde, Alex. - disse com um sorriso leve no rosto.
E ele apagou.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #1

Parte 1
(Esses fatos ocorreram após o caso de Phil no País de Oz e precederam os que foram relatados em BCC Wars)
Terça-feira, seis da noite. Nuvens escuras anunciavam chuva em breve sobre a Universidade Federal Rural de Pernambuco. Dezenas de alunos saíam pelas portas do Prédio Professor João Vasconcelos Sobrinho ao fim do turno da tarde tomando seus diversos caminhos. Muitos iam para casa, alguns a outras áreas da universidade como a Biblioteca Central, outros fazer um lanche para esperar aulas do horário noturno e poucos para qualquer outro lugar.
Os terceiro e quarto períodos do curso de Ciência da Computação saíam de uma aula pesada e complexa da disciplina de Circuitos Digitais sobre Flip-flop em que dois terços da turma dormiu pelo menos metade da aula.
Nesse grupo que descia as escadas vinha um jovem de camiseta preta, calça jeans azul, tênis All-Star e mochila. Alex Justino estava acompanhado por Jonathan, Mariane e Phil, com quem assistia metade das suas aulas, e do seu aiPhone que tocava um álbum de Madonna. Ao passarem pelo portão do prédio Alex se despediu dos seus três amigos, que estavam com pressa, e atravessou a rua de duas faixas que cortava aquela área da universidade para comer no restaurante imediatamente à frente de onde estava.
Caminhando em direção à entrada, que ficava na outra extremidade do estabelecimento, o rapaz notou um par de olhos pequenos e brilhantes que vinham de uma pequena gaiola de metal presa em cima do muro destinada a equipamentos de segurança, mas que estava ocupada pelo gato-câmera do restaurante. O animal acompanhou cada passo dado pelo garoto movendo apenas a cabeça lentamente, até que este dobrou à direita na quina do muro. Alex entrou para comprar um pacote de biscoitos recheados sabor chocolate e saiu em menos de três minutos. Ao voltar pelo mesmo caminho se deparou com uma cena assustadora.
O gato estava agora sentado no chão e olhava fixamente para o rapaz. Na parede notou algo aparentemente pichado, mas então se deu conta de que aquilo não estava ali antes. E muito menos era uma pichação, pois aquilo não era tinta.
Era sangue.
Os inimigos do Imperador morrerão. A caçada já começou.
Alex não sabia o que aquilo significava e muito menos porque aquele animal olhava fixamente para ele como se quisesse dizer algo, mas não ficaria ali para descobrir. Porém quando tentou escapar do lugar o gato se pôs em sua frente, miou com uma expressão demoníaca e em seguida as pupilas deixaram sua forma felina e passaram a ter a aparência de uma letra “S”. O jovem ficou sem reação e deu um passo para trás no mesmo momento em que o gato avançou alguns centímetros lentamente.
E em seguida atacou dando um salto com as garras armadas.
O rapaz tentou desviar do ataque, mas não foi rápido o suficiente. O animal cravou as unhas nas alças da mochila e quando os olhares de ambos se encontraram tudo ao redor ficou escuro por dois segundos.
Quando Alex piscou os olhos estava num lugar totalmente diferente. E o gato havia sumido.
Era um galpão enorme de cerca de 250m², a única iluminação vinha de uma plataforma de metal e ficava de frente para os olhos de quem chegasse, atrapalhando a visão de quase tudo que houvesse nas paredes ou à frente da pessoa. Tudo o que ele conseguiu ver foram coisas penduradas às paredes do lugar por suportes que não conseguia identificar.
A intensidade da luz diminuiu um pouco no momento em que uma silhueta surgiu por trás dos holofotes. Parecia ser uma mulher pelo formato do cabelo, aparentava ter baixa estatura e uma voz cruel que disse:
-Bem-vindo ao meu playground. Vamos nos divertir muito aqui.
As luzes que o impediam de enxergar se apagaram e em seguida as lâmpadas fluorescentes que pendiam do teto se acenderam gradativamente de onde Alex estava até a plataforma de onde a voz veio. E agora ele pôde ver o que estava pendurado nas paredes.
Corpos humanos cobertos de sangue perfurados por ganchos enormes que atravessavam o tórax de quase todos eles, apenas alguns estavam perfurados em outros locais por falta de ossos suficientes no peito para sustentação. Havia dezenas deles por todas as paredes laterais e em alguns cantos partes que pareciam pedaços de pernas e braços estavam jogadas pelo chão como resultado de alguma morte terrível.
Quando as luzes terminaram de acender ele pôde enfim descobrir quem era sua anfitriã naquele playground dos horrores.
E essa descoberta não poderia ser pior.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Phil no País de Oz #3

Capítulo 3 (final)
          Aquele pensamento o atordoava. O que diabos significava aquela frase? “Quando estiver na frente do reto fique esperto, calado e quieto”, qual era o sentido disso? Será que havia sido um aviso do Aslam de Chesire? Ou apenas um pensamento maluco daquele animal? Afinal era só um gato que falava!
           Mas ele deixou pra lá esses pensamentos depois de uns dez minutos de caminhada, quando chegou a uma área de mata novamente. Não que a nova paisagem o tenha chamado a atenção, mas algo que vinha de dentro dela.
           Curioso, se aproximou da beira da estrada para olhar para dentro da mata verde na direção de onde uma luz estranha, como se um farol estivesse aceso no meio das árvores, mas um pouco distante. O mato não era muito fechado, com certo espaçamento entre as árvores, o que permitia uma vista razoável mato à dentro. Tentou ver o que era aquela luz, mas ela era um pouco ofuscante, e parecia vir de uma clareira minúscula de poucos metros de diâmetro. Então deu uns passos para fora da estrada, pisando agora num chão forrado de folhas e foi entrando lentamente se escondendo atrás das árvores para descobrir que luz era aquela.
Quem sabe não fosse a saída daquele lugar?
Mas de repente seu óculos se fez útil e ele finalmente enxergou o que se passava ali. Não, não era um farol de carro, e estava bem longe disso.
Ele viu uma mulher, mais parecia um adolescente, em pé e com cara de prisão de ventre olhando para um homem tão branco como açúcar refinado e que brilhava ao sol como se tivesse tomado um banho de glitter! O casal começou a conversar e cada vez mais parecia que aquela dor de barriga da adolescente era constante, pois sua expressão de dor no estômago não mudava nunca. Ela chorou, depois ficou quieta e depois pareceu sorrir, mas seu rosto tinha uma forma sempre constante, nunca mudava.
Então por trás deles surgiu um cachorro poodle que pulou nas costas do homem-holofote e os dois começaram a lutar. Phil começou a ficar com medo nesse momento e decidiu ir embora dali para sua própria segurança. Antes de voltar à Estrada das Plaquinhas Vermelhas olhou para trás uma última vez e viu que o poodle estava se transformando em um homem.
O cachorro, na verdade, era um cachorrosomem!
Então Phil decidiu correr para o mais longe dali possível, e não precisou ir muito longe até perceber que a estrada terminava num imenso cano que parecia o famoso cano do bairro de Engenho do Meio, porém esse era bem maior. Seu diâmetro era de dois metros, e seu material era muito grosso e resistente e uma plaquinha pendia pendurada por arames em na parte de cima com a inscrição “Oz Encanamentos. Caminho para a Cidade da Comida de Ouro”. Parecia ter sido feito para transportar pessoas!
Então aquela frase voltou à sua memória.
Quando estiver na frente do reto fique esperto, calado e quieto.
Sem saber o que fazer, Phil deu um passo para dentro do cano e apenas ficou parado observando seu interior e em silêncio. Do sétimo metro à sua frente em diante só via escuridão. Foi quando começou a sentir uma força lhe puxando para frente. Mas não era como se quisesse fazê-lo andar, a sensação é que seria arrancado do chão a qualquer momento!
E foi o que aconteceu em seguida.
O aprendiz de carteiro foi levado como se flutuasse no interior do cano e sua velocidade aumentava cada vez mais! Apesar de não enxergar nada, em certo momento percebeu que não estava mais sendo arrastado para frente, mas sim para cima. Começou a enxergar uma luz que se abria em cima da sua cabeça e notou algo que quase tampava a saída do túnel. Algo que parecia um tijolo enorme! Como por instinto Phil levantou a mão esquerda e cerrou o punho.
Quando foi lançado para fora do cano em alta velocidade sua mão socou o tijolo que flutuava à apenas um metro da saída. Curiosamente o tijolo se esfarelou e de dentro dele saiu uma moeda de um real que Phil pegou no ar no mesmo momento que disse:
-It’s me, Phil!
Já no chão e em segurança, olhou para os lados tentando observar onde estava e foi quando viu o que tanto procurava. Um muro branco com uma grade, lá dentro cadeiras e mesas e uma piscina estranhamente verde que parecia ser o local onde foram feitos as experiências para a criação do Hulk. Na frente estava escrito “Cidade da Comida de Ouro”.
Finalmente ele havia chegado!
Notou em seguida que um pequeno caminho contornava o muro indo em direção aos fundos da cidade. Foi naquela direção feliz da vida, até que se sentiu observado e olhou para cima. Dois olhos estavam fixos nele em meio à uma pelagem listrada.
Era um gato-câmera. Um gato que serve para amedrontar pessoas suspeita, seguindo com os olhos cada passo que davam. Mas como Phil não era a pessoa mais suspeita do mundo, conseguiu passar por ele tranquilamente.
E então chegou ao tão procurado prédio Vasconcelos Sobrinho. E descobriu que as aulas já haviam terminado, pois eram apenas para apresentação das disciplinas.
Fim.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Phil no País de Oz #2

Capítulo 2
(para quem voou na primeira parte, até aqui a história é um Mágico de Oz Vs Alice no País das Maravilhas... até aqui...)
Phil Santos não fazia a mínima ideia de onde estava, olhava ao redor e só enxergava verde, verde claro e um pouco de verde escuro também. Ah, e um pouco de marrom no chão, mas só um pouco. Estava começando a se sentir um pouco claustrofóbico, afinal nunca gostara muito de verde. Preferia amarelo (vai ver pela farda do estágio que era obrigado a vestir todo santo dia).
De repente percebeu que o caminho se abria à sua frente. O matagal em que estava preso terminava abruptamente em frente a um poste enferrujado que estava apagado. Ele observou intrigado aquele objeto e se perguntou o que um poste fazia num lugar daqueles, sem nada que fizesse sentido iluminar. Então ignorou o fato, pois a hora estava correndo e ia acabar chegando atrasado para a aula.
Agora a paisagem era outra. Uma área aberta grande demais para ser dentro da UFRPE, conhecida por ser um monte de mato no meio do Recife. No chão apenas uma trilha quase cercada dos dois lados por inúmeras plaquinhas vermelhas com a inscrição "Cidade da Comida de Ouro". "Bom, se seguindo as placas eu chegar lá, então tá beleza", pensou ele.
Foi então que reencontrou o sagui nervoso que pulava de placa em placa, mas que agora dizia:
-Estou reprovado! Meu Deus, assim eu vou ser reprovado!
-Calma aí cara, ainda é o primeiro dia de aula... - falou Phil tentando acalmar o pequeno animal que parecia estar fazendo uma final de Cálculo 1 de Didier, mas que não deu atenção ao rapaz e continuou pulando de placa em placa.
Percebendo que seria ignorado todas as vezes que tentasse falar com o animal, Phil apenas continuou andando e logo se deparou com um gato vindo em sua direção, mas um gato um tanto estranho. Tinha um sorriso enorme com um rosto quase humano, um pelo dourado e uma juba que refletia a luz do sol encadeando a visão do graduando. O animal se aproximou e disse:
-Bem-vindo à minha terra. Eu sou Aslam de Chesire.
-Ôpa, obrigado. Eu sou o Philippe, mas pode me chamar de Phil... Tipo "fio" mesmo, se você chamar na rua "ei fio!" eu vou olhar hahahaha - respondeu simpático.
-Pelo que vejo posso ajudá-lo em alguma coisa, está procurando algo específico nessa região?
-Ah, sim, já que você perguntou, tô procurando a saída daqui. Eu tava indo pra aula, aí vi um sagui doido dizendo que tava atrasado ai fui tentar ajudar ele e acabei caindo aqui - falava apontando para todos os lados possíveis com as mãos.
-Ah, você conheceu o Einstein. Não se preocupe, ele não está atrasado para lugar nenhum, nem reprovado em nada. Ele já foi um estudante tempos atrás da universidade de onde você veio, quando ainda se aceitavam animais falantes como alunos, mas um dia se atrasou porque a mãe dele não deixou que saísse de casa sem fazer o que ela havia pedido há horas: limpar as folhas que tinham caído dentro da sua toca. Então ele perdeu a hora da final de Cálculo 1 e ficou desse jeito, pois seu sonho era ser laureado e tendo reprovado essa disciplina nunca ficaria à frente do CDF da turma que não conseguia tirar notas menores que 8. Mas deixemos ele para lá, se você quiser sair daqui só precisa continuar seguindo as plaquinhas vermelhas e chegará à saída, não é difícil.
-Beleza então, vou lá senão vou chegar atrasado.
-Boa viagem e lembre-se: "quando estiver na frente do reto fique esperto, calado e quieto".
O menino dos cachinhos enrolados não entendeu o sentido daquilo, mas mesmo assim agradeceu novamente e foi embora.
E continuou seguindo as plaquinhas em busca da Cidade da Comida de Ouro.

domingo, 29 de abril de 2012

Phil no País de Oz #1

História baseada em fatos reais
Capítulo 1
Era uma vez um menino que estudava no CEGOE, mas aí o coordenador do seu curso conseguiu transferência para um prédio novo, então ele foi mandado para o João Vasconcelos Sobrinho, mais conhecido como CEAGRI 2. Seu nome era Phil Santos, e seu apelido era Philippe (embora poucos o chamassem assim).
Porém, acostumado com a rotina do período anterior, Phil acabou esquecendo-se da sua alteração de local e desceu do ônibus duas paradas antes da sua. Sendo um aluno desprovido de grandes recursos financeiros não iria pagar outra passagem, então procurou alguém conhecido para saber se havia algum caminho rápido do CEGOE para o CEAGRI 2. E logo encontrou Yuri Nascimento na praça de alimentação da UFRPE, comendo um pastel embaixo do Pé-de-rins que havia ali.
-Grande Phil, o que fazes por aqui essa hora?
-Velho, esqueci que a aula ia ser no CEAGRI 2 hahahahah como faço para chegar lá por aqui?
-Cara, o único caminho que eu sei, é tomando a Estrada das Plaquinhas Vermelhas que levam à Cidade da Comida de Ouro. Então você passa pela direita dela e chega lá.
-Cidade da Comida de Ouro? A comida é tão boa assim?
-Boa não, ela é cara mesmo!
-Ah, beleza hahahahaha... Então valeu cara, to indo nessa!
-Falou Phil, até mais.
Então ele seguiu à procura das plaquinhas vermelhas. Achou a primeira ao final do estacionamento do CEGOE, ela apontava para uma pequena rua calçada que seguia em uma direção desconhecida. Então seguiu pela estrada se distraindo com a paisagem. Não era nada difícil encontrar as plaquinhas, elas sempre estavam bem visíveis e em pequenas distâncias uma das outras.
Mas o quase perdido aluno estava começando a ficar entediado. "De que adianta essa paisagem bonita se não tenho um violão para tocar enquanto ando?" pensava ele. Percebeu então algo se mexendo de um lado da estrada de barro. Ele atentou para a criatura e percebeu que era um sagui nervoso.
-Ai meu Deus, como estou atrasado! - falava o animal.
-Caramba, é a primeira vez que vejo um sagui falando! - disse Phil realmente espantado. - Ei, vem cá!
Mas o animal não deu atenção e correu para dentro de um pequeno espaço entre o mato fechado que cercava a Estrada das Plaquinhas Vermelhas. Então o curioso rapaz se aproximou mais um pouco daquela pequena passagem por onde o sagui seguiu e tentou olhar para ver se encontrava o pequeno animal. Aquela poderia ser sua única chance de falar com um animal diferente daqueles com quem ele estudava, da espécie Nerd.
Ao se aproximar mais um pouco, acabou pisando de mau jeito e se desequilibrando, caindo dentro da pequena abertura. Descobriu então que havia um grande declive ali e acabou rolando por cima da grama (morro?) abaixo. Quando se levantou olhou para cima, por onde tinha vindo e percebeu que não conseguiria voltar. E só havia uma trilha a seguir que ia na mesma direção na qual ele havia caído.
Ele então seguiu, já que não tinha outra escolha. E esse foi o começo da aventura de Phil.

sábado, 28 de abril de 2012

A Saga do Imperador - 02 - BCC Wars #4

PARTE 4 (final)           
Encarei minha adversária. Seu rosto refletia uma falsa inocência, mas apesar de parecer uma menina indefesa, agora eu tinha noção da sua capacidade de matar pessoas chutando gatos. E sabia que minha força não seria suficiente para derrotá-la. Dayanne Araujo, nesse momento, era mais forte que eu.
Mas então vi Mary se aproximando com uma jarra de vitamina de banana.
-Você achou algum lugar que vendesse vitamina king size? - perguntei espantado.
-Não, não achei nenhum lugar que vendesse vitamina com farinha láctea, então fui em casa e fiz para você... - respondeu sorrindo, como se isso fosse fácil de fazer.
-Mas você mora A QUILÔMETROS daqui, como poderia ter feito isso tão rápido?!
-Não importa, agora vai atrás de Sergio para impedir ele, eu cuido de Day.
-Não, eu não posso deixar você fazer isso! Você vai morrer se tentar parar ela, você não tem a força!
-Relaxa garoto, vai lá que eu cuido dela. - respondeu calmamente beijando meu rosto em seguida.
Sem conseguir pensar muito bem nesse momento, aceitei o pedido. E fiquei mais tranquilo quando Thomás Leal chegou no momento gritando "É HORA DE MORFAR! TIRANOSSAURO!".
-Relaxa, Jonathan, eu e Mary vamos parar essa maluca, vá impedir Sérgio! – disse já vestido com seu uniforme vermelho.
Apenas balancei a cabeça aceitando e saí para o lado oposto da luta que se formava, buscando a entrada do estacionamento subterrâneo. Não sabia por onde começar a procurar, mas sabia que precisava parar para beber a fonte do meu poder (que ia levar um pouco de tempo, já que a bebida era um tanto grossa)... Encontrei uma vaga vazia entre dois carros, sentei e comecei a beber aos poucos.
Segundos após o primeiro gole, pude sentir o poder renascendo. Senti algo como uma onda se formando no meu estômago e tomando conta do meu corpo debaixo para cima! Mas momentos depois descobri que era apenas um arroto. Então deixei tudo para lá e bebi o quanto aguentei.
Quando terminei me levantei ainda um pouco pesado e procurei a escada. Começaria a procurar Sérgio no mesmo lugar onde o vi pela última vez. E acabou sendo uma boa escolha, porque ele ainda estava lá, em frente à bilheteria do Centro de Convenções.
-Ora, ora, você voltou para morrer... - desafiou Sérgio, confiante.
-Veremos que irá morrer aqui... Caramba, agora até eu tô falando feito seriado japonês! Mas que seja, não vou deixar que cumpra seu plano comunista!
-Então você conseguiu ler o que tava escrito no celular... - disse introduzindo seu discurso. - Mas não é um plano perfeito? Eu e Itamar só precisávamos fingir sermos capitalistas com postagens e comentários anticomunistas e ninguém perceberia que somos infiltrados do DCE tentando tomar o poder do curso e implantar um centro de desenvolvimento de Ubuntu em BCC! VAMOS DESTRUIR AS GIGANTES CAPITALISTAS! VIVA O SOFTWARE LIVRE! - e começou a rir como um louco descontrolado. - MUAHAHAHAHAHA...
-Nunca deixarei você fazer isso! O poder da Microsoft é bem maior que o dessa distribuição meia boca!
Nesse momento puxei meu Nokia 1100 do bolso direito da calça e o liguei! Era meu Tijolo de Luz! Sérgio pegou seu Nokia 3310. Seria uma luta difícil, a arma dele era indestrutível! Para que eu tivesse uma chance teria de desarmá-lo.
Andamos um em direção ao outro e a luta começou. Lutamos com habilidade, manejando nossos Tijolos de Luz como mestres da arte dos SwordPhones. Em um momento percebi a guarda do meu adversário aberta, então pensei rápido e lancei um lixeiro na cabeça do inimigo, fazendo-o cair no chão e soltar seu 3310 que saiu escorregando para um canto da parede. Antes que ele se recuperasse da tontura causada pela pancada, fiz sua arma ser jogada a uma grande distância para que não pudesse mais usá-la. Agora eu tinha uma chance maior de derrotá-lo!
Mas quando me aproximei achando que ele ainda estivesse tonto, ele arrancou com a telecinese um extintor da parede e o jogou em minha direção. O objeto se chocou com meu braço, fazendo minha arma também se perder em algum lugar atrás de mim. Agora a luta seria no braço!
Mas sendo alunos de BCC, não sabemos nem temos força para lutar. Então paramos onde estávamos. Eu comecei a concentrar meu poder entre minhas duas mãos. Ele repetiu o movimento. Em instantes surgiram esferas de poder em nossas mãos que cresciam lentamente. Quando o poder se tornou grande demais para suportarmos, atacamos um ao outro ao mesmo tempo.
Nossos poderes se chocaram e se mantiveram estáveis suportando um ao outro, até o momento em que se misturaram e acabaram por formar uma explosão gigantesca que nos lançou aos lados opostos do saguão onde estávamos nos deixando desacordados.
Acordei com alguém me balançando. O sol incomodava minha vista, astigmatismo é um saco. Era Mary que tentava me reanimar, pois meu adversário não estava derrotado, e se levantava lentamente. Então olhei ao redor e percebi que o lugar onde estávamos não existia mais, apenas os escombros deixados pela explosão. Ao ver que Sérgio se levantava lentamente, usei tudo o que sobrara de minha força para me por de pé novamente. Mas eu não teria condições de voltar à luta.
-Está derrotado, Windows Fanboy? - disse Sérgio sarcástico.
-Acho que não tenho mais forças para lutar... - disse em baixa voz para que apenas Mary me ouvisse.
-Sim, você tem! Porque eu coloquei um ingrediente especial na sua vitamina! - respondeu determinada.
-O que? Amor?
-Não... Duas colheres de Toddy!
Eu sorri ao ouvir aquilo. Eu ainda tinha um pouco de força para lutar! Mas como eu derrotaria meu inimigo?! Então eu descobri o que fazer!
-Sérgio, pode ser que eu realmente esteja quase derrotado, mas tenho como conseguir a energia necessária para acabar com isso!
Então concentrei toda a minha força que restara para falar por telepatia a todas as pessoas do mundo. "USUÁRIOS DO WINDOWS! TEMOS QUE VENCER O ATAQUE DOS SOFTWARES LIVRES! PRECISO DE SUA ENERGIA NESSE MOMENTO, APERTEM CTRL+ALT+DEL NOS SEUS COMPUTADORES NESSE EXATO MOMENTO!"
Então esperei por alguns momentos e comecei a sentir a energia chegando às minhas mãos! Levantei meus braços para concentrar toda aquela carga acima da minha cabeça e percebi o quão grande era aquele poder! Sérgio estava em pé, mas imóvel sem conseguir fazer nada naquele momento. Então fiz meu último esforço e lancei toda aquela energia que agora assumia a forma de uma imensa esfera azul escura na direção do meu inimigo.
-PELO PODER DA TELA AZUL! RAIO AZUL DA MORTE! - gritei quase instintivamente no momento do lançamento.
Um grito desesperado foi tudo que ouvi antes do clarão que se seguiu ao impacto.
Após isso caí ao chão desacordado. Era o fim dos infiltrados do DCE e do ataque dos softwares livres.
E quanto ao indestrutível Nokia 3310, ele nunca mais foi visto. Mas ninguém sabe quando pode ser achado novamente.
*Fim*
(História escrita por Jonathan Castro com sugestões de vários alunos de BCC)