terça-feira, 5 de junho de 2012

A Saga do Imperador - 01 - A Ordem do Imperador das Sombras #7

Parte 7
            Alex e Suzana agora quase corriam, ele já estava recuperado dos efeitos que a substância azul provocara no seu corpo. Seguiam caminhos instintivos pelos corredores que nunca terminavam em lugar nenhum como um labirinto sem fim.
            -Calma Alex, vamos parar um pouco. - disse segurando ele pelo braço. - Precisamos pensar para onde estamos indo, assim podemos estar rodando em círculos!
            -Seria ótimo se soubéssemos para onde ir, mas todos os corredores aqui são iguais! - o tom de voz era de nervosismo, estava evitando pensar na possibilidade de voltar à cadeira de Day para manter a calma.
            -Parece que estamos presos aqui. - ela olhou para os traços finos na parede que mostravam as portas deslizantes como a do galpão de onde fugiram. - Acho que vamos ter que arriscar...
            -Como assim?
           -Não tem janelas aqui, nem nada que pareça com uma saída, então só podemos tentar entrar nessas portas e ver onde vamos sair.
Ela não esperou a resposta do amigo e encostou a mão numa região delimitada pelo desenho retangular de pontas arredondadas para tentar abrir a porta. Tentou pressionar, mas nada aconteceu.
-Sou só eu que estou me sentindo observado aqui? - perguntou Alex incomodado.
-Na verdade eu não estava, mas já que você falou agora eu também estou.
Ficaram em silêncio e olharam para os dois lados do corredor. Nenhum som, nem um eco de qualquer sala.
-Acho que só estamos nervosos. - disse ela com voz trêmula. - Vamos continuar procurando uma porta destrancada.
Alex assentiu com a cabeça, mas continuou incomodado. Sentia uma presença que se aproximava. Parecia que algo ou alguém entraria naquele corredor a qualquer momento. Deu um passo em direção àquela sensação estranha, mas logo se virou para o outro lado.
-Suh, vamos embora daqui, tem algo vindo atrás de nós! - disse pegando a menina pela mão.
Ela sentiu seu coração acelerar com o toque. Perdeu o controle dos seus pensamentos e a única reação que teve naquele momento foi seguir a liderança do rapaz. Então eles correram do modo mais silencioso que puderam, tentando pisar leve no chão até que encontraram algo que não haviam visto antes.
Um símbolo em baixo relevo de aproximadamente 30 cm de diâmetro quebrava a harmonia perfeitamente lisa das paredes num corredor sem portas. Uma cobra que envolvia uma maçã em espiral mordendo a fruta na sua diagonal superior direita. Alex e Suzana se olharam como se concordassem no que deviam fazer.
-No três. - disse ela firmemente.
-Um, dois...
Nervosa, Suzana queimou a contagem tocando o símbolo com a palma da mão aberta.
-Não era no três? - perguntou um pouco assustado pela atitude repentina.
-Desculpa, me empolguei. - respondeu enquanto ainda matinha pressão sobre o desenho que começou a esquentar. Afastou a mão em reflexo à temperatura crescente e apenas observou com o mesmo olhar do companheiro que carregava curiosidade, nervosismo e medo.
A cobra entalhada na parede tomou uma coloração verde lentamente acompanhando a maçã que assumia um vermelho escarlate. Quando os desenhos chegaram a uma tonalidade sólida uma passagem se revelou com o deslocamento de um bloco de parede para dentro do prédio e logo após para a direita.
Avançaram com passos curtos pela passagem e descobriram que aquele lugar, independente do que fosse, não era uma prisão como achavam até agora. Era algo muito maior e o galpão em que foram presos era apenas uma área de algum complexo de sabe-se lá o que. Agora sabiam ainda menos onde estavam e o que esperar de tudo o que estavam vivendo, mas ao menos agora haviam descoberto algo. Aquele lugar não era uma prisão para serem torturados por qualquer coisa.
Pois eles estavam entrando num imenso laboratório de corpos.

***
            Passos avançavam leves e silenciosos sobre o piso encerado dos corredores daquele lugar. Os pés viraram à esquerda a tempo dos olhos do indivíduo poderem ver um corpo sumindo para dentro da parede. Então eles haviam entrado no laboratório do Imperador.
            Não pensei que ia ser tão fácil. Mas vai ser divertido mesmo assim. Lá é legal.

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